Dicionário Filhotês

"Bitarra", "mordono", "boinga", "izoológico", "salve-se-me", "descansamento" e quantas palavras mais desse dicionário familiar devo ter perdido ao longo desses anos!

As palavras são quase auto-explicativas, mas vou dar uma ajudazinha!

Bitarra: instrumento barulhento e estridente que ele vai tocar, que "é super demais" e que vai acabar com meus pobres ouvidos daqui a algum tempo!

Mordono: "aquele homem que fica com uma roupa engraçada e com uma gravatinha assim no pescoço, andaaando pra lá e pra cá e que fica servindo a gente".

Boinga: aquele avião grande que a gente viajou pra casa da titia (isso dito após ver o símbolo da empresa aérea que havíamos utilizado para uma viagem e após a explicação do pai de que aquele avião grande chamava-se, na realidade, boing...);

Izoológico: lugar onde a gente vê os animais, claro!

Salve-se-me: pedido de socorro quando as cócegas do papai ou da mamãe são desesperadoras. Dirigido a qualquer um que queira entrar na brincadeira!

Descansamento: o que aconteceu depois de brincar no parque da escola e depois de muitas atividades e trabalho duuuro com as prôs...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Um Show de Realidade


Meu sogro é e será sempre uma inspiração! Muito pela defesa intransigente dos seus pontos de vista, mais pela sua integridade e lisura! Estávamos conversando após o almoço acerca das atitudes de alguns políticos (sempre eles!)e ele me disse uma frase que ficou martelando minha cabeça... A questão era: como Sarneys, ACMs, Siqueiras e quetais podem sentir-se ricos impingindo tanta miséria e desigualdade social nos locais onde são gorvernantes? Como podem fazer de Municípios e Estados uma extensão de seus quintais sem o menor pudor? Como suas consciências lhes permitem andar por ruas onde impera a mendicância e onde a prostituição se alastra? Onde a infância é deliberadamente explorada?
Claro, não conseguimos responder a tais questões! Pelo menos não com o pensamento simplista e desinteressado de quem não é sustentado pelo sistema político.
A cabeça do político, imagino eu, funciona da seguinte maneira: o que eu faço me beneficia? Faz bem aos meus comparsas? Torna dependentes aqueles que podem me reeleger? Dá a minha imagem pública uma perspectiva positiva e de nobreza? Quando pego em alguma atitude ostensivamente errada, será facilmente esquecida e superada?
Pois bem, respondidas a contento cada uma dessas perguntas, nenhum problema em fazer ouvidos de mercador para as solicitações de necessidade real.
Afinal de contas a realidade é extremamente relativa. Um mendigo debaixo da ponte pode significar muitíssias coisas diferentes, a depender de quem olha e do que quer ver...
Talvez meu olhar esteja viciado na indignação e eu veja descaso, incompetência, barbárie onde outro verá oportunidade de sucesso!
O Bolsa Família para mim pode ser a esmola institucionalizada, um incentivo a estagnação e à falta de perspectiva. Para outros, pode ser a manutenção de um eleitorado dependende e acéfalo. Para outros ainda, pode ser apenas a notícia na primeira capa do jornal, "neutra" e despida de pretensões outras que não a mera informação... (Como muitos querem nos fazer crer!)
No fim de tudo, a realidade é sempre um show. Um ponto de muitas vistas, vistas de muitos pontos. Cada vista entremeada pelo viés dos interesses imediatos e futuros.
Talvez o olhar do outro não esteja menos viciado no poder, que o meu na descrença de que um dia poderá ser diferente... Diferente daquela história do tapinha "afetuoso" e "amigo", do assessor com a cadernetinha de pedidos anotados, do discurso "emocionado", dos cargos rifados e das Marias com os meninos, cada vez mais meninos, na fila do Bolsa Família, do vale-gás e dos vale-nada a que o governo sentencia o esmoler!
Mas, enfim sogrinho, como eles podem sentir-se ricos e felizes com a miséria despudorada? É porque são almas miseráveis e nenhuma outra miséria pode ser maior do que a que arrastam consigo, nas suas entranhas! Daí o que vemos ser apenas o reflexo do que eles não podem deixar de ser. "A árvore má" não poderia mesmo dar bons frutos! Esse é o ponto da minha vista. !

Um comentário:

  1. Que texto!!!!
    Deveria enviá-lo a um jornal de grande circulação. Para lavar a alma de mais pessoas.

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