Dicionário Filhotês

"Bitarra", "mordono", "boinga", "izoológico", "salve-se-me", "descansamento" e quantas palavras mais desse dicionário familiar devo ter perdido ao longo desses anos!

As palavras são quase auto-explicativas, mas vou dar uma ajudazinha!

Bitarra: instrumento barulhento e estridente que ele vai tocar, que "é super demais" e que vai acabar com meus pobres ouvidos daqui a algum tempo!

Mordono: "aquele homem que fica com uma roupa engraçada e com uma gravatinha assim no pescoço, andaaando pra lá e pra cá e que fica servindo a gente".

Boinga: aquele avião grande que a gente viajou pra casa da titia (isso dito após ver o símbolo da empresa aérea que havíamos utilizado para uma viagem e após a explicação do pai de que aquele avião grande chamava-se, na realidade, boing...);

Izoológico: lugar onde a gente vê os animais, claro!

Salve-se-me: pedido de socorro quando as cócegas do papai ou da mamãe são desesperadoras. Dirigido a qualquer um que queira entrar na brincadeira!

Descansamento: o que aconteceu depois de brincar no parque da escola e depois de muitas atividades e trabalho duuuro com as prôs...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eu, mãe!

Há meses penso em dizer algo sobre ser mãe mas, durante este tempo de pensamentos, expectativas e questionamenstos, senti-me extremamente incompetente para emitir pareceres ou conclusões...
Somente ontem à noite, após uma crise convulsiva de choro e uma sensação de solidão e abandono indescritíveis para qualquer ser, não pai, nem mãe deste mundo, é que me atrevi a dizer qualquer coisa!
Não porque tivesse respostas ou certezas sobre o fato, simplesmente porque não havia mais espaço para adiar o que transbordava...
Sensação de solidão e vazio, ditadas pela distância de uma semana e poucos quilômetros a mais...
Sensação de dor e medo que parecem estabelecer contato entre nós e o humano mais frágil dentro de nosso ser. Sentimento de que parte importante do corpo parece ter sido arrancada só porque não há contato visual com aqueles que você dedica seu amor maior e mais profundo... Fazer-se de forte e seguro ao dizer adeus, quando na verdade queremos apenas agarrar e reter junto de nosso corpo e de nossa alma aquele corpinho pequeno e, para nós, frágil... Guardar o cheirinho,a textura da pele e dos cabelos, os sorrisos peraltas e convincentes, como se fosse a única, e última, vez que foram vistos, tão somente porque não estarão ao alcance da mão e dos olhos nos próximos dias!
Chegar em casa e percebê-la vazia... De sentido e de vida! Tudo porque eles apenas estão enrijecendo as pernas e dando os primeiros passos!
Saber que isso é inevitável e que hoje vão e voltam, mas que amanhã poderão apenas partir sem data de chegada e sem contatos diários...
Saber que estão apenas ensaiando os primeiros voos rumo à imensidão do mundo nos coloca diante do que preparamos para eles e nos põe em xeque diante de nós... Fizemos certo? Fizemos tudo? Acertamos? Eles estão prontos? Irão cair? Darão conta de se erguer quando for preciso?
Que medo!
Nada é comparável a essa sensação, nem nossos próprios erros...
Mas ainda assim, a necessidade de ser fortes! Esse o nosso destino. Precisamos continuar vivendo com e apesar deles!
Necessitamos olhar no espelho de nossa alma e nos enxergar inteiras com as escolhas que fizemos. Sem mentiras ou excusas...
Eles não precisam do nosso arremedo de mãe. Eles precisam da mulher inteira e plena que fomos criadas para ser! Da mulher que ama, protesta, se dedica, que labuta, que por vezes chora, que se emociona e que tem, também, angústias! Que tem princípios, que fica indignada e até se atrapalha!
Não querem a super-mãe de vidro e confetes, que se quebra no vazio de propósitos e objetivos... Querem mãe integralmente, mas não em tempo integral! Por que às vezes se cansam de nosso amor sufocante e pegajoso...
Querem a mãe que abraça, acalenta, sustenta, sorri, afaga, alimenta, educa e que orienta, mas que conhece seu caminho, que busca seu destino, e que, de repente, no meio da lágrima que embaça os olhos, encontra o sorriso de quem voltou, e sempre voltará, para o abraço eterno do amor que ninguém explica, só sente!